De desempregado a microempresário: crie você mesmo a empresa onde gostaria de trabalhar! (Parte I)

Tempo de leitura: 6 minutos
Tema(s): Empreendedorismo
Freelancer: o começo da jornada

Freelancer: o começo da jornada

Mariano trabalhava em um buffet infantil de grande porte, como analista de comunicação e marketing, e ganhava um salário acima da média. Depois de três anos com carteira assinada, foi demitido. Mariano utilizou o FGTS e o seguro-desemprego para pagar as contas, viajar, descansar e depois de um certo tempo, voltou a procurar emprego.

Entregou currículos em diversas empresas, se inscreveu em sites de busca de vagas, mas quando surgia alguma oportunidade, o perfil buscado era de estagiário.  Às vezes ele era chamado para algumas entrevistas, mas logo depois do processo seletivo, ou não obtinha retorno algum, ou então ouvia a seguinte resposta: “você é qualificado demais para a nossa empresa, vai se sentir desvalorizado aqui e o salário não compensa”. Mariano então percebeu que, mesmo tendo todos os requisitos para ocupar várias vagas, nem sempre a empresa estava buscando o melhor candidato, mas o mais adequado.

O tempo foi passando, ele recebeu a última parcela do seguro-desemprego, o dinheiro do FGTS só dava para mais um mês e o desespero foi batendo. Quando perguntavam qual era a sua ocupação, Mariano tinha vergonha de dizer que estava desempregado e inventava alguma resposta.

O círculo foi se fechando e Mariano viu que tinha que fazer alguma coisa urgente: “Estou desempregado há quase um ano. E agora, o que posso fazer para transformar essa realidade?”.

Foi aí que caiu a ficha: “por que não utilizar tudo o que aprendi em um negócio só meu?” Decidiu ser consultor em organização e promoção de eventos infantis e utilizar a sua formação de comunicação e marketing para divulgar o seu trabalho da forma mais profissional possível. E assim Mariano se tornou  freelancer.

freelancer-02

Quem nunca passou ou conhece alguém que viveu uma situação como essa? É justamente por isso que estamos aqui: para te ajudar a enxergar novos caminhos. Afinal, é claro que ficar desempregado é preocupante, mexe com a autoestima e, inclusive, com a saúde física e psicológica, principalmente se você tem uma família para sustentar. Mas felizmente existem diversas formas de trabalhar e ganhar dinheiro. Já parou para pensar que você pode passar do status de “desempregado” para “microempresário”?

Preparamos uma série de artigos para te mostrar alguns passos que você pode seguir para se tornar o seu próprio chefe e criar você mesmo a empresa onde gostaria de trabalhar.

No primeiro artigo da série você vai ver:

– Afinal, o que é freelancer?

– Como posso me tornar um freelancer?

– A sensação de dever cumprido

Gostou? Então continue com a gente!

 

Afinal, o que é freelancer?

Vamos esclarecer logo uma coisa: ser freelancer não é o mesmo que fazer “bico”. Apesar de ambos serem caracterizados pela ausência de vínculo empregatício, a principal diferença está no fato de que fazer bicos é realizar pequenos serviços, de forma pontual, normalmente a baixo custo. Fazer freelas, por sua vez, é realizar serviços como especialista em sua área, tanto para empresas, como para pessoas físicas, a um preço que pode, inclusive, te permitir pagar as suas contas e usufruir de algum tipo de lazer. Em outras palavras: você pode construir uma carreira atuando como freelancer, mas não fazendo bicos. O segredo está no profissionalismo e na formalização.

 

Como posso me tornar um freelancer?

freelancer-03

Para se tornar um freelancer de sucesso, vamos te dar algumas dicas importantes em um “passo a passo”:

1. Aproveite o conhecimento que você já tem: assim como Mariano, valorize todo o conhecimento e experiência que você adquiriu ao longo da sua vida profissional e utilize-os em seu trabalho como autônomo. Lembre-se das capacitações que recebeu nas empresas onde já trabalhou, da gestão dos negócios utilizada por essas empresas, da política de relacionamento com os clientes… Todo o conhecimento será útil nesse momento. Mas caso a gestão interna dessas empresas não seja o melhor modelo a ser seguido, utilize-a como exemplo do que não deve ser feito no seu negócio e faça muito melhor! Se pretende mudar de área, ainda assim esse conhecimento é importante.

2. Busque inspirações: procure na internet depoimentos de pessoas que também ficaram desempregadas e decidiram empreender como freelancer; converse com ex-colegas de trabalho e outros profissionais de confiança sobre a sua nova fase pessoal e ouça sugestões; participe de eventos (o que é uma ótima oportunidade para se atualizar, conhecer gente nova e aumentar a sua rede de contatos).

3. Capacite-se: depois que você decidir exatamente o que vai fazer como freelancer (o serviço que irá oferecer, qual trabalho irá desenvolver), é hora de investir em novas capacitações. Há vídeo-aulas e vários cursos gratuitos ou de baixo custo oferecidos na internet ou por instituições próximas a você, basta procurar aqueles relacionados à sua área de interesse. Quanto mais você se capacitar, mais chances terá de se diferenciar de outros profissionais que atuam no mesmo segmento.

4. Estabeleça os seus objetivos e metas profissionais: : estabeleça os seus objetivos e metas profissionais. Onde você está, onde pretende chegar e quais são os meios para cumprir essas metas e alcançar esses objetivos? Lembre-se de que objetivo é algo mais genérico, enquanto metas são indicadores para analisar se o objetivo está sendo alcançado, devendo ter 5 características fundamentais: ser específica, mensurável, atingível, realista e ter um prazo. Exemplo:

freelancer-04

5. Construa um plano de ação: depois de ter definido os seus objetivos e metas, monte um plano de ação. Para isso, faça uma tabela e insira decisões práticas: O que será feito? Quem irá fazer? Onde será feito? Quando será feito? Por que será feito? Como será feito? Quanto custará? Veja o exemplo abaixo:

6. Divulgue-se: crie uma página no Facebook, faça um cartão de visita (existem gráficas online de boa qualidade que cobram menos que R$ 50,00 para a impressão de 500 unidades), distribua entre amigos, em eventos, em estabelecimentos comerciais, marque reuniões com possíveis clientes, enfim, divulgue-se. Quem não é visto, não é lembrado

7. Seja organizado: como autônomo, você será o seu próprio chefe e o responsável por todas as obrigações relacionadas à sua vida profissional, tais como:

– buscar clientes;

– criar metas e definir as tarefas a cumprir;

– respeitar os prazos de cada uma delas;

– fidelizar os clientes já conquistados;

– precificar os seus serviços;

– fazer a cobrança dos pagamentos ;

– cuidar do fluxo de caixa, para registrar todas as despesas e receitas.

Existem vários aplicativos gratuitos que podem te ajudar a ter uma rotina mais organizada. Confira a lista realizada pela Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

Leia mais: 5 erros comuns que gestores cometem no controle do fluxo de caixa

8. Como cobrar pelo seu serviço: essa é uma dúvida compartilhada por muitas pessoas que trabalham como freelancer. Talvez você pense: “vou começar cobrando um preço bem abaixo do praticado no mercado para atrair clientes”. Contudo, porém, todavia, temos o dever de te alertar: não se engane. Cobrar um valor bem abaixo do mercado atrairá pessoas que serão clientes do seu preço, não do seu serviço. Assim que você aumentar o valor, há grande risco desses clientes procurarem outro profissional. Lembre-se: você não se tornará competitivo oferecendo um preço barato, mas sim ofertando um serviço de qualidade e diferenciado. Valorize-se e será valorizado!

9. Escolha um nicho de mercado: não atire para todos os lados. Foque em um segmento, porque assim você vai se tornar cada vez mais especialista nessa área, a exemplo de Mariano, que focou no nicho de festas infantis, pois ele já atuava nesse ramo. Afinal, o cliente prefere contratar um profissional que realmente entenda do seu negócio. Para exemplificar com outra situação, imagine que você seja dentista e esteja pretendendo reformar o seu consultório, você iria preferir contratar um arquiteto qualquer ou um arquiteto especializado em reformas de consultórios odontológicos?

 

A sensação de dever cumprido

freelancer-06

Você conseguiu o seu primeiro cliente, foi pontual, prestativo e impecável na entrega do seu trabalho, prestação de serviço ou consultoria. Como resultado, este cliente te indicou para outro. Você também se esforçou bastante para divulgar o seu trabalho e, quando se deu conta, tinha uma clientela significativa. Parabéns! Depois de muita luta e persistência, está vendo o dinheiro entrando na conta; as metas foram superadas, está dando para sustentar a família, a grana sobrando tem te possibilitado até viajar e, o melhor de tudo, a  autoestima está lá em cima. Você merece!

No próximo artigo, vamos falar sobre um passo além que você deve pode dar: a formalização como MEI. Fique ligado! 😉

Se ainda tiver dúvidas, a Agilize está à disposição para te ajudar. Conte com a gente!

Esse conteúdo foi útil para você? Então compartilhe com os seus amigos!

Leia também:

Parte II- MEI: um grande passo para a formalização do freelancer

Parte III- De MEI a ME: criando a sua própria microempresa

Sobre a Agilize

Somos a primeira empresa de contabilidade online do Brasil. Transformamos seu MEI em ME e cuidados da contabilidade da sua empresa enquanto você fatura. Tudo online, de forma tranquila e segura.

Sobre o Autor

Conte-nos o que achou!